Em minha
primeira viagem solitária, Belo Horizonte tinha tudo para ser inóspita. Cheguei
a sentir raiva por estar sozinha, fiquei trancada no hotel. Tinha feito tantos
planos...
Entretanto
não poderia perder de vista o meu objetivo. Não fui em busca de diversão, mas
de conhecimento. E de fato encontrei o que procurava, bebi da fonte.
Mas BH conseguiu
ser tão sedutora, como a fala mansa do seu povo acolhedor, que me curvei aos
seus encantos e aproveitei um pouco de sua beleza exuberante, a começar pela
belíssima arquitetura da Igreja Boa Viagem de Nossa Senhora de Lourdes. Depois
desci até a Praça da Liberdade e enchi meus olhos com o caminho das palmeiras
imperiais.
A cidade
respira cultura, estava acontecendo a bienal do livro, a apresentação da
orquestra sinfônica e tantas outras atrações. Lembrei-me que estava nas Minas
Gerais de Drummond e isso me deixou verdadeiramente suscetível, pronta para
viver aquele momento.
Os dias que
se seguiram foram intensos e ficarão para sempre na memória, o almoço no
Mercado, a ida à livraria Quixote, o caminho das palmeiras, Nossa Senhora de
Lourdes (a quem fiz um pedido)...
Finalizo com
um poema do itabirano mais querido, que durante a minha adolescência me nutriu
com seus versos lindos e que não me deixa esquecer que o melhor da vida, o
melhor de tudo, deve ser guardado na memória!
Memória
Amar o
perdido
deixa confundido
este coração.
deixa confundido
este coração.
Nada pode o
olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas
tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as
coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário