"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino."

Paulo Freire

domingo, 3 de junho de 2012

Carta a BH


Em minha primeira viagem solitária, Belo Horizonte tinha tudo para ser inóspita. Cheguei a sentir raiva por estar sozinha, fiquei trancada no hotel. Tinha feito tantos planos...
Entretanto não poderia perder de vista o meu objetivo. Não fui em busca de diversão, mas de conhecimento. E de fato encontrei o que procurava, bebi da fonte.
Mas BH conseguiu ser tão sedutora, como a fala mansa do seu povo acolhedor, que me curvei aos seus encantos e aproveitei um pouco de sua beleza exuberante, a começar pela belíssima arquitetura da Igreja Boa Viagem de Nossa Senhora de Lourdes. Depois desci até a Praça da Liberdade e enchi meus olhos com o caminho das palmeiras imperiais.
A cidade respira cultura, estava acontecendo a bienal do livro, a apresentação da orquestra sinfônica e tantas outras atrações. Lembrei-me que estava nas Minas Gerais de Drummond e isso me deixou verdadeiramente suscetível, pronta para viver aquele momento.

Os dias que se seguiram foram intensos e ficarão para sempre na memória, o almoço no Mercado, a ida à livraria Quixote, o caminho das palmeiras, Nossa Senhora de Lourdes (a quem fiz um pedido)...
Finalizo com um poema do itabirano mais querido, que durante a minha adolescência me nutriu com seus versos lindos e que não me deixa esquecer que o melhor da vida, o melhor de tudo, deve ser guardado na memória!

Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

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