Estudar geoprocessamento tem sido um dos maiores desafios da minha carreira profissional como cirurgiã dentista, envolve alguns conhecimentos que jamais imaginei obter, mesmo estando na gestão atualmente. Há bem pouco tempo a cartografia, a geodésia, a topografia e a fotogrametria, não faziam parte do meu vocabulário, mas a vida é cheia de desafios e esse é mais um deles.
Depois do lançamento do Decreto Nº 7.508 de 28 de junho de 2011, onde uma das necessidades ou exigências é a construção do mapa da saúde, comecei a pesquisar cidades que já tinham feito algo nesse sentido e vi o quanto alguns municípios brasileiros estão integrando outras tecnologias como, por exemplo, o geoprocessamento e o seu sistema de informação geográfica - SIG. Penso que não poderia ser diferente, pois o número de informações é cada vez mais volumoso e outras tecnologias se fazem necessárias na tomada de decisões, principalmente intersetoriais, para a melhoria dos serviços de saúde. Não temos como fugir dessa realidade, ainda mais em tempos de Google Earth e Google Maps que são ferramentas manipuladas até por crianças de pouca idade.
Mas se pararmos para pensar, a própria Estratégia Saúde da Família, desde a sua concepção, trabalha com a lógica da definição e reconhecimento de espaços geográficos através da territorialização. Também me dei conta que trabalho diariamente com o SIG quando analiso os mapas da implantação das equipes de saúde da família no território brasileiro ou avalio a fluoretação das águas de abastecimento público no país. Confesso, no início eu acreditava que SIG era sinônimo de geoprocessamento, na verdade o SIG é uma das ferramentas utilizadas no geoprocessamento para armazenar um número gigantesco de informações, organizando, manipulando e analisando situações e a ocorrência de eventos através de mapas. É claro que a qualidade das informações indexadas aos mapas deve ser uma preocupação constante, para não corrermos o risco de tomar decisões equivocadas no planejamento e execução de políticas de saúde.
A utilização racional do SIG na vigilância em saúde se resume, de forma simplória, em uma pessoa certa (qualificada), com um banco de dados “nas mãos” (informação de qualidade) e um ambiente computacional, resultando em uma ferramenta poderosa e, arrisco dizer, imprescindível no planejamento loco-regional das ações e na vigilância em saúde.
Veremos que caminhos o geoprocessamento me fará percorrer e até onde poderei chegar, sou movida pela curiosidade e pela paixão por novas descobertas. Certa vez um amigo citou um poema de Álvaro de Campos – Ultimatum, nunca esqueci! “Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo”, mesmo que esse mundo seja novo só pra mim.
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